Em discurso na ONU, Bolsonaro culpa imprensa por pânico na pandemia e faz aceno a Trump

 


Em discurso na ONU, Bolsonaro culpa imprensa por pânico na pandemia e faz aceno a Trump
Foto: Marcos Corrêa/PR

Jair Bolsonaro discursou em vídeo gravado, nesta terça-feira (22), na 75ª edição da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Na fala, o presidente voltou a atacar a imprensa, críticos internacionais das queimadas no Pantanal e na Amazônia e associações ligadas à proteção ambiental. 

 

Bolsonaro iniciou o discurso lamentando as mortes em razão da pandemia e se eximiu de parte da responsabilidade, ao criticar a decisão judicial que limitou a atuação da presidência da República nas medidas de combate à disseminação do vírus. “Ficamos limitados a enviar recursos e investimentos”, disse. 

 

O presidente culpou parte da imprensa pela politização do coronavírus no Brasil. Segundo ele, a imprensa gerou pânico na população com campanhas que estimularam o distanciamento social. A medida, também pregada por governadores e prefeitos, foi recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como forma de diminuir a circulação do vírus no pico da doença. Dados sobre a pandemia atualizados pelo Ministério da Saúde confirmaram que o país passou da marca de 134 mil mortes em razão da Covid-19.

 

Bolsonaro também foi crítico a exposição das queimadas no Brasil. No lugar de comentar a área queimada no Pantanal, que já passa de 2 milhões de hectares, tamanho referente a 10 vezes as cidades de SP e RJ juntas, o presidente disse que o país está sendo “vítima de uma das mais brutais campanhas de desinformação” e criticou a atuação de organizações ambientais internacionais e brasileiras na questão. 

 

Os acenos no discurso foram destinados para agricultores e caminhoneiros que trabalharam durante a pandemia e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “No Brasil, apesar da crise mundial, a produção rural não parou. O homem do campo trabalhou como nunca e produziu como sempre. O Brasil contribuiu para que o mundo continuasse alimentado”, disse. 

 

Nos elogios a Trump, Bolsonaro disse que acompanhará o Estados Unidos no plano de paz norte-americano para a região de conflito entre israelenses e palestinos na Ásia.