Para Neto, 'Bolsonaro vai perder se apostar no radicalismo' e não organizar a articulação

 


Para Neto, 'Bolsonaro vai perder se apostar no radicalismo' e não organizar a articulação
Foto:Valter Pontes/Secom

O prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM prevê problemas para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), caso o chefe do Executivo mantenha o tom de confronto e não organizar a articulação política no Congresso. A declaração foi dada pelo gestor em entrevista ao Estadão, neste domingo (6). 

 

“É inegável que houve um recado das ruas, através das urnas, sinalizando que o eleitor deseja gestores que hajam com equilíbrio, que tenham experiência e capacidade de realização. É uma indicação importante para 2022. Agora, o presidente vai dar uma nova cara ao governo nesses próximos dois anos e ter uma postura de moderação ou vai apostar no radicalismo? Não sabemos. Bolsonaro vai perder se apostar no radicalismo”, disse Neto ao ser questionado sobre o desfecho das eleições municipais neste 2020.

 

Sobre o processo de reeleição para a presidência da Câmara e do Senado, cargos para os quais projetam serem reconduzidos Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, ambos do DEM, o presidente nacional se esquivou de tecer opiniões. Segundo ele, “O assunto já está no Supremo, que foi acionado pelo PTB, num claro movimento de provocação. Uma vez que começou a ser julgado, não me cabem manifestações agora”.

 

Emendou ainda que “a condução do processo sucessório na Câmara e no Senado passa por Rodrigo e por Davi. Não vou especular sobre cenário antes da conclusão do julgamento do STF”, quando o deputado Baleia Rossi (MDB) foi apontado como possível opção à Maia.

 

Em relação às eleições de 2022, Neto avalia que o apresentador de TV Luciano Huck pode ser “um bom quadro” para um projeto futuro e nega acordo para apoiar o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ao Planalto. “O DEM não está fechado com Doria nem com Huck nem com ninguém”, afirma. Não descartou, no entanto, alguma possibilidade de aliança entre o DEM e o atual presidente. “Vai depender muito de como o cenário vai ser conduzido nesses próximos dois anos. Agora, com o Bolsonaro dos extremos nós não iremos. Não há hipótese”.